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Teutônia
Tricolor Quem
somos? Aonde vamos? De onde viemos?
Estas perguntas latem a todo momento na minha cabeça
e se transformam num conjunto de palavras que despertam cada
vez mais a minha vontade de continuar a torcer pelo Grêmio
e renovar as esperanças de que grandes conquistas virão
para este clube amado e centenário. Somos assim, meio
sem compromisso, um grupo de torcedores numa pequena cidadezinha
do interior gaúcho mas que com orgulho e devoção,
alenta, torce, grita, chora e se comove a cada jogo do Grêmio.
A
maioria iniciou as suas idas ao Olímpico Monumental
em 2002/2003, na época dos jogos da Libertadores da
América. Por receio, por medo, e até por não
conhecer como são as coisas no estádio sentávamos
nas cadeiras e assistíamos os jogos do Tricolor. Quem
não estava naquele Grêmio 4 a 1 contra o River
Plate ?. Mais de 55 mil pessoas “amontoadas” no
gigante da Azenha e “festa da galera” como diz
um famoso radialista. Mas uma coisa me remoía por dentro,
era um instinto selvagem que só um gremista sente ao
ver aquela que seria futuramente chamada de a “melhor
torcida do Brasil” inicar a sua trajetória. Ela
era pequena, sem bandeiras, sem instrumentos mas se ouvia
claramente os seus cantos que ecoavam pela Olímpico:
“Soy, soy de Grêmio, soy, soy de Grêmio,
soooyyyyyy, soooyyy de Grêmiooo, ssoooyyyy,soooooyyy,soooy
de Grêmiooo!”. Juro que ela me deslumbrava e na
minha opinião já fazia mais barulho que as torcidas
organizadas que estavam na ativa na época.
Após
este momento, veio o rebaixamento em 2004 e um futuro sombrio
e escuro se projetava no horizonte. Em 2005 iniciou a trajetória
na Série B, e fomos, fomos sim prestigiar as partidas
do Grêmio no Olímpico. Era também o começo
da afirmação da torcida que citei acima. A primeira
vez que eu a vi, agora assistindo os jogos nas arquibancadas,
ela reunia umas 2 mil pessoas ali atrás do gol da Av.
Carlos Barbosa, que não paravam de pular, cantar, e
fazer um barulho estrondoso no Olímpico. Revelo que
não olhava o jogo, estava nem aí mais para o
resultado pois aquela torcida havia me cativado ali naquele
momento. Os gremistas da “Teutônia Tricolor”,
principalmente os de fé que iam ao Olímpico
começaram a estranhar a sua presença nas cadeiras
e nas arquibancadas do Monumental. Sentíamos em nossos
corações que nosso lugar era lá naquele
“inferninho”, portão 10, tínhamos
uma alma selvagem que necessitava renovar o seu espírito
de luta e crer que existia um lugar para satisfazer a nossa
busca pelo desconhecido.
Fomos
lá então. Estar naquele lugar era impressionante
e inexplicável. Haviam barras, trapos (bandeiras),
papel picado, e bobinas por todo lugar. Nunca tínhamos
visto algo igual. Era um novo jeito de torcer, de vibrar de
empurrar o time. E a banda ?. Quando ela entrava pelo túnel,
todos urravam, gritavam mais alto, parecia que a “salvação”
estava chegando. Todos ficavam olhando aqueles rapazes subindo
as arquibancadas com instrumentos musicais de percussão
como caixas, pratos, e bumbos. No ressoar do primeiro bumbo,
no começo da primeira música todos começavam
a pular. Era incrível olhar para os lados e ver de
2 a 3 mil pessoas pular sem parar nenhum minuto. O concreto
cinqüentenário do Olímpico tremia, os cantos
ressoavam por todo estádio. De repente o Grêmio
tomou gol e pasmem, aquela torcida ao invés de parar
de pular, a banda ao invés de parar de tocar, continuou
e tocou mais alto ainda. Era uma loucura!. Repito, nunca havíamos
visto nada igual. Aquilo dava forças a todos ali naquele
lugar e contagiava aos outros setores do estádio. De
repente estava todo estádio cantando a mesma música.
Enfim, 2005 era o ano da afirmação desta torcida
gloriosa, vibrante, amedrontadora para os adversários.
Era a afirmação da Geral do Grêmio.
Na
final da Série B, todos reunidos em bares em Teutônia.
O Grêmio precisava subir para a séria A para
não fechar as portas. A partida foi dramática
em Recife contra o Naútico. Com três jogadores
a menos, dois pênaltis contra, com o juiz contra, contra
tudo e contra todos, conseguimos o inacreditável. Pênalti
para o Naútico. Todos aflitos na Pizzaria Decker ou
“Bar do Tega” onde estávamos. Não
vou revelar quem, mas tinha muita gente chorando já
naquele lugar antes mesmo da partida terminar. Foi quando
veio o alívio. Ademar (Naútico) vai para a cobrança
e Gallato, o novo goleiro símbolo do Grêmio naquele
momento, defende a cobrança. Explosão de alegria
na bar do Tega, gritaria, loucura geral, até eu que
sou uma pessoa muito fria, comecei a chorar e desentalar um
nó na garganta. Contra-ataque do Grêmio e Ânderson,
o menino prodígio faz um gol. Mais um momento de explosão,
alegria, loucura, e insanidade no bar. Eu vi copos quebrados
no chão, cadeiras quebradas. Mas isso naquele momento
era o de menos. Até o grande Tega, dono do bar, quebrou
uma vidraça!. Logo depois aconteceu o apito final.
Festa generalizada da Teutônia Tricolor. Descontrole
total, saímos para a rua e embarcamos na maior carreata
futebolística, eu acho, já vista no município.
Havia muita gente chorando deitada no meio do asfalto, pessoas
vibrando nas janelas, comoção geral. Crianças
nas cercas das casas, balançavam bandeiras do Grêmio.
Aquele momento foi único, prevejo que nunca mais acontecerá
algo assim, nunca mais!
Em
2006 a Teutônia Tricolor se fortificou, rever a gurizada
em dias de jogos se tornou mais do que ir em jogos. Isso se
transformou numa questão de honra, os laços
de amizade se reforçavam cada vez mais. Fomos em quase
todos os jogos do campeonato brasileiro daquele ano. Existiam
vários tipos de pessoas entre nós: sujeitos
que não olhavam o jogo devido a problemas de ordem
estomacal, camaradas que queriam dar uma de “guia turístico”
em Porto Alegre ensinando o caminho para o motorista (às
vezes dava certo, outras vezes não), “homem bomba”
que levava os seus artefatos explosivos para dentro do estádio
e ganhava uma “ajudinha” do guarda para entrar
(Bum!!!, Ih foi o C.......), “homem bomba” que
atirou super bombinhas no túnel o que fez gente pular
das poltronas do coletivo, aqueles que realizavam pequenas
intrigas entre os gremistas dentro do ônibus, gurizada
que preferia rolar barranco abaixo em Floripa ou rolar avalanche
abaixo. Há, e não podemos esquecer da “Gang
da Lolo”...hahaha. Enfim, tudo serviu para unir ainda
mais os borrachos.
Mal
2007 estava pedindo passagem e já estávamos
nos preparando para vôos maiores. A banda da “Barra
Teutoniense” se equipou melhor e agora nós temos
todos os instrumentos (bumbo, prato, caixa, e cubana). Novamente,
época de Libertadores e as esperanças do tricampeonato
renovadas. Mais de 100, mais de 100 sócios em Teutônia,
no mínimo um ônibus por jogo na Libertadores.
Esta foi a temporada do acreditar mais, torcer mais, crer
sempre no Grêmio. Foram muitas reversões e demonstrações
de superação. A Geral, bem o que eu vou dizer
dela. Ela estava formosa, gigante, impecável, espetacular.
O Olímpico não desmoronou por detalhes, pois
nunca na minha vida vi um estádio cantar tanto, um
espetáculo de luzes tão magnífico. Foi
um sonho ver 50 mil pessoas pulando e vibrando sem parar.
A torcida do Grêmio mudou e mudou para melhor. Não
existem palavras para explicar.
Quando
o Grêmio perdeu para o Farroupilha estávamos
lá. Quando o Grêmio precisava ganhar de 4 a 0
contra o Caxias estávamos lá. Ganhamos o campeonato
gaúcho em cima do Juventude e a Teutônia Tricolor
estava lá. Quando ninguém acreditava nas classificações
da Libertadores estávamos lá contra Cerro Porteño,
São Paulo, Defensor e Santos. Nos jogos que o Grêmio
jogava fora fizemos aquele descontrole na Pizzaria Di Napoli,
comendo um churras, cantando, festejando e vibrando com o
Tricolor sempre. Mas nem por isso deixamos de enviar representantes
para os países sul-americanos levando a nossa bandeira
pelo continente. Fomos para a Argentina e para o Uruguai também.
Na final contra o Boca Jrs. fomos ao Olímpico alentar
pois acreditávamos. Infelizmente não deu, mas
a nossa história não termina por aqui.
Continuamos
assim, com companheirismo, com trago, alento e amizade, reforçando
a cada dia através de novas batalhas, a nossa união,
pois somos assim, do jeito que somos, a Teutônia Tricolor,
uma “banda loka” do interior gaúcho, a
que não abandona, sempre apoia e que a cada dia, cresce
mais e mais para a satisfação da nação
tricolor.
GRÊMIO POR TODA A VIDA!
Texto escrito por Éderson M. Käfer
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